sábado, 24 de março de 2012

Flores Partidas


   Um filme de Jim Jarmusch, diretor de Sobre Café e Cigarros e Down By Law, Flores Partidas antes de mais nada é um culto a Bill Murray. Enquanto outros artistas entram naquela fase de estagnação da carreira, onde meio que representam a sí mesmos, veja George Clooney e Jack Nicholson. Ambos são grandes atores, não há dúvida. Já foram premiados pela academia americana e tudo, mas há algum tempo não inovam. Clooney talvez na ótima atuação em Syriana, a Indústria do Petróleo, filme que lhe rendeu o oscar de melhor ator coadjuvante. Já Nicholson, há muito tempo não ousa em um papel. Há momentos na vida em que o prazer é essencial.
   Não que Bill Murray não interprete a si mesmo nos filmes em atua hoje em dia. Ele talvez seja o maior exemplo desse tipo de ator. Mas é que desde o ótimo Feitiço do tempo, um papel não lhe caía tão bem. Nem em Encontros e Desencontros, de Sophia Copolla, filha do genial Francis, em que ele não atuava tão bem.
   Don Johnston (Bill Murray), funcionário aposentado do ramo tecnológico, solitário e mulherengo quando jovem, descobre que é pai de um garoto adolescente. Na carta, a mãe não facilita em nada a vida de Murray. Não lhe conta a idade do filho, nem como ele é, nada. Só avisa que ele saiu de casa em busca do pai. Murray, entediado, não está nem aí, mas seu vizinho, o não menos excepcional Winston (Jeffrey Wright), já planejou a viagem toda de Murray em busca do filho. Locação de carro, hospedagem, passagem aérea. Tudo comprado.
   Entre um antigo amor e outro, inclusive a Sharon Stone, Murray apanha, vê uma adolescente nua, conversa com a ex-namorada que fala com animais, mas nem pista do filho. Ele parece não fazer muita questão. Até que ao retornar para casa encontra um rapaz na frente de uma lanchonete e o convida para um lanche. O rapaz aceita e Murray parece enfim descobrir o amor paterno, mas talvez agora já seja tarde.

 

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