A
contratação do grande, mesmo, jogador de futebol Ronaldo para comentarista de
futebol na rede globo, é sintomático ao revelar o quanto que os interesses se
sobressaem a credibilidade da transmissão. Agora agente e promotor de eventos,
o mínimo que se poderia esperar de tal desportista seria a negação do convite
para participar das transmissões, porque no objeto de análise do Ronaldo, jogos
da seleção brasileira, alguns jogadores são gerenciados por ele. Por exemplo, Neymar,
a maior estrela do escrete.
O
ufanismo que somos obrigados a suportar de Tino Marcos, com aquele bom mocismo,
desprovido de informações relevantes sobre o assunto que cobre. E o tom
paternalista da voz de Galvão Bueno, já uma caricatura de si mesmo, revela o
quanto de nocivo, na vitória ou na derrota, teremos que aguentar.
A
pequena abertura para a real informação vem mesmo dos canais ESPN. No singular,
porque a Sportv é um arremedo de Globo, e a FOX já engatinha para o lado torto
da força.
Nenhum
crítico, comentarista ou analista, domina mais o seu objeto de estudo que Paulo
Vinícius Coelho (PVC). Ele parece conhecer tudo sobre futebol, pelo menos no
campo da razão. Destrincha esquemas táticos, posicionamento de jogadores como
se fosse um enxadrista. E é aí a única falha do comentarista. Ele esquece que o
futebol nem sempre tem lógica. Um esporte onde o caos impera, nem sempre há
explicação para tudo.
É
nesse momento que paramos para ler Tostão. Não se engane. Ele tem uma
legibilidade do futebol também magnífica. Embora saiba, ele mais que ninguém, pois
atuou na melhor seleção de todos os tempos como centroavante, diferentemente de como
jogava no Cruzeiro, que nem sempre os números explicam o "onze de cá, onze de
lá. E o bate-bola do meu coração".
Se
isso fosse possível o comentarista perfeito seria uma dose da informação do
PVC, a poesia de Tostão e a pornografia de Nelson Rodrigues.
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