terça-feira, 11 de junho de 2013

Resenha do curta Menino do Cinco


Premiado em seis categorias no 40º Festival de Gramado, incluindo melhor filme, melhor roteiro, e melhor ator, dividido entre Thomas Vinícius de Oliveira e Emanuel de Sena, o curta metragem "Menino do Cinco", retoma a já quase esquecida temática da luta de classes no país.
Gravado na Bahia, vizinha do recifense Kleber Mendonça, diretor do prestigiado “O som ao redor”, parece fazer parte de uma nova abordagem de cinema em que a classe média tem papel central na temática dos filmes.
O menino do cinco, asmático e solitário, encontra um cachorro perdido no gramado do prédio e decide adotá-lo, sem saber que o animal pertence ao garoto que mora na praça perto da sua casa. Recriando um clima de tensão sobre os dois, uma vez que o menino da praça quer o seu cachorro de volta, o ápice da história se dá quando o menino da praça invade o apartamento para recuperar o cachorro. Em um impulso, com o objetivo da negação da derrota, o menino do cinco, acostumado a ter tudo para si, sabe que irá perder, mas também não deixará o outro ganhar.
Sem panfleto, com a câmera passeando com liberdade no interior e no exterior do prédio, os diretores Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, aborda o distanciamento das relações afetivas entre pai e filho, entre filho e cidade e entre espaços que não se completam. O que soa como uma crítica à sociedade moderna.   

P.S: Texto para a oficina de crítica cinematográfica.

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